No regaço da mãe Amor estava
No regaço da mãe Amor estava
Dormindo tão fermoso que movia
O coração que mais isento o via,
E a sua própria mãe de amor matava.
Ela, cos olhos nele, contemplava
A quanto estrago o mundo reduzia;
Ele, porém, sonhando, lhe dezia
Que todo aquele mal ela o causava.
Soliso que, graduado em seus amores,
De saber de ambos mais teve a ventura,
Assi soltou a dúvida aos pastores:
Se bem me ferem sempre sem ter cura
Do menino os ardentes passadores,
Mais me fere da mãe a fermosura.
