Nem o tremendo estrépito da guerra

Nem o tremendo estrépito da guerra,
Com armas, com incêndios espantosos,
Que despacham pelouros perigosos,
Bastantes a abalar ũa alta serra,

Podem pôr medo a quem nenhum encerra,
Depois que viu os olhos tão fermosos,
Por quem o horror nos casos pavorosos
De mim todo se aparta e se desterra.

A vida posso ao fogo e ferro dar,
E perdê-la em qualquer duro perigo,
E nele, como fénix, renovar.

Não pode mal haver pera comigo,
De que eu já me não possa bem livrar,
Senão do que me ordena Amor imigo.