Não vás ao monte, Nise, com teu gado
Não vás ao monte, Nise, com teu gado,
Que eu lá vi que Cupido te buscava;
Por ti somente a todos perguntava,
No gesto menos plácido que irado.
Ele publica, enfim, que lhe hás roubado
Os melhores farpões da sua aljava,
E com um dardo ardente assegurava
Traspassar esse peito delicado.
Fuge de ver-te lá nesta aventura,
Porque, se contra ti o tens iroso,
Pode ser que te alcance com mão dura.
Mas ai! que em vão te advirto temeroso,
Se à tua incomparável fermosura
Se rende o dardo seu mais poderoso!
