Na desesperação já repousava
Na desesperação já repousava
O peito longamente magoado,
E, com seu dano eterno concertado,
Já não temia; já não desejava;
Quando ũa sombra vã me assegurava
Que algum bem me podia estar guardado
Em tão fermosa imagem, que o treslado
Na alma ficou, que nela se enlevava.
Que crédito que dá tão facilmente
O coração àquilo que deseja.
Quando lhe esquece o fero seu destino!
Ah! deixem-me enganar, que eu sou contente;
Pois, posto que maior meu dano seja,
Fica-me a glória já do que imagino.
