Moradoras gentis e delicadas
Moradoras gentis e delicadas
Do claro e áureo Tejo, que metidas
Estais em suas grutas escondidas,
E com doce repouso sossegadas;
Agora estais de amores inflamadas,
Nos cristalinos paços entretidas;
Agora no exercício embevecidas
Das telas de ouro puro matizadas;
Movei dos lindos rostos a luz pura
De vossos olhos belos, consentindo
Que lágrimas derramem de tristura.
E assi, com dor mais própria ireis ouvindo
As queixas que derramo da Ventura,
Que com penas de Amor me vai seguindo.
