Memórias ofendidas que um só dia
Memórias ofendidas que um só dia
Me não deixais em paz o pensamento,
Não me daneis o gosto do tormento
Que quem vos ofende vos defendia.
Que me quereis? Olhai que se injuria
Convosco o delicado sentimento,
Que me ficou do eterno apartamento
De quem tem já desfeita a morte fria.
Deixaram-me coa mágoa das ofensas,
Levaram um remédio que só tinha
Quem irá vencer a pena que a alma sente.
Onde achará do dano as recompensas
Que ainda de ser triste, a dita minha
Me não deixa um momento ser contente.
