Lembranças de meu bem, doces lembranças

Lembranças de meu bem, doces lembranças
Que tão vivas estais nesta alma minha,
Não queirais mais de mim, se os bens que tinha
Em poder vedes todos de mudanças.

Ai cego Amor! Ai mortas esperanças
De quem eu em outro tempo me mantinha!
Agora deixareis quem vos sustinha;
Acabaram coa vida as confianças.

Coa vida acabaram, pois a ventura
Me roubou num momento aquela glória,
Que,quando tão grande é, tão pouco dura.

Oh! se após o prazer fora a memória!
Ao menos estivera a alma segura
De ganhar-se com ela mais vitória.