Já é tempo, já, que minha confiança

Já é tempo, já, que minha confiança
Se desça de uma falsa opinião;
Mas Amor não se rege por rezão;
Não posso perder, logo, a esperança.

A vida sim; que uma áspera mudança
Não deixa viver tanto um coracão,
E eu só na morte tenho a salvação;
Sim; mas quem a deseja não a alcança.

Forçado é logo que eu espere e viva.
Ah! dura lei de Amor, que não consente
Quietação nũa alma que é cativa!

Se hei-de viver, enfim, forçadamente,
Pera que quero a glória fugitiva
De uma esperanca vã que me atormente?