Já claro vejo bem, já bem conheço
Já claro vejo bem, já bem conheço
Quanto aumentando vou o meu tormento,
Pois sei que fundo em água, escrevo em vento,
E que o cordeiro manso ao lobo peço;
Que Aracne sou, pois já com Palas teço;
Que a tigres em meus males me lamento;
Que reduzir o mar a um vaso intento,
Aspirando a esse Céu que não mereço.
Quero achar paz em um confuso inferno;
Na noite, do Sol puro a claridade
E o suave Verão no duro Inverno.
Busco em luzente Olimpo escuridade
E o desejado bem no mal eterno,
Buscando amor em vossa crueldade.
