Gentil Senhora, se a Fortuna imiga

Gentil Senhora, se a Fortuna imiga,
Que contra mim com todo o Céu conspira,
Os olhos meus de ver os vossos tira,
Porque em mais graves casos me persiga,

Comigo levo esta alma, que se obriga,
Na mor pressa de mar, de fogo, e de ira,
A dar-vos a memória que suspira
Só por fazer convosco eterna liga.

Nesta alma, onde a Fortuna pode pouco,
Tão viva vos terei, que frio e fome,
Vos não possam tirar, nem mais perigos.

Antes, com som de voz trémulo e rouco
Por vós chamando, só com vosso nome
Farei fugir os ventos e os imigos.