Esconjuro-te, Domingas

MOTE
Esconjuro-te, Domingas,
Pois me dás tanto cuidado,
Que me digas se te vingas:
Viverei menos penado.

VOLTAS
Juravas-me que outras cabras
Folgavas de apascentar;
Eu por não me magoar,
Fingia que eram palabras.
Agora de arte te vingas
Dalgum meu doudo pecado,
Que, inda [que] queiras, Domingas,
Não posso ser enganado.

Qualquer cousa busca o seu:
A fonte vai pera o Tejo,
E tu pera o teu desejo,
Por te vingares do meu.
De mi te esqueces, Domingas,
Como eu faco do meu gado.
Praza a Deus que, se te vingas,
Que moura desesperado.

Na fantesia te pinto;
Falo-te, responde o monte;
Busco o rio, busco a fonte,
Endoudeço, e não o sinto.
- Domingas!-no vale brado;
Responde o eco:-Domingas!-
E tu inda te não vingas
De me ver doudo tornado?