Em um batel que com doce meneio

Em um batel que com doce meneio
O aurífero Tejo dividia,
Vi belas damas, ou, milhor deria:
Belas estrelas e um Sol no meio.

As delicadas filhas de Nereio
Com mil vozes de doce harmonia,
Iam amarrando a bela companhia,
Que, se eu não erro, por honrá-la veio.

Ó fermosas Nereidas, que, cantando,
Lograis aquela visão serena
Que a vida, em tantos males, quer trazer-ma,

Dizei-lhe que olhe que se vai passando
O curto tempo, e, a tão longa pena
O tempo é pronto, a carne enferma.