Doces lembranças da passada glória
Doces lembranças da passada glória,
Que me tirou Fortuna roubadora,
Deixai-me descansar em paz ũa hora,
Que comigo ganhais pouca vitória.
Impressa tenho na alma larga história
Deste passado bem, que nunca fora;
Ou fora, e não passara; mas já agora
Em mi não pode haver mais que memória.
Vivo em lembranças, morro de esquecido
De quem sempre devera ser lembrado,
Se lhe lembrara estado tão contente.
Oh! quem tornar pudera a ser nascido!
Soubera-me lograr do bem passado,
Se conhecer soubera o mal presente.
