Doce contentamento já passado

Doce contentamento já passado,
Em que todo o meu bem só consistia,
Quem vos levou de minha companhia,
E me deixou de vós tao apartado?

Quem cuidou que se visse neste estado,
Naquelas breves horas de alegria,
Quando minha ventura consentia
Que de enganos vivesse meu cuidado?

Fortuna minha foi cruel e dura
Aquela que causou meu perdimento,
Com a qual ninguém pode ter cautela.

Nem se engane nenhũa criatura;
Que não pode nenhum impedimento
Fugir o que [lhe] ordena sua estrela.