Deu, Senhora, por sentença
A outra Dama que estava também doente
MOTE
Deu, Senhora, por sentença
Amor, que fôsseis doente,
Pera fazerdes à gente
Doce e fermosa a doença.
VOLTAS
Não sabendo Amor curar,
Foi a doença fazer,
Fermosa, pera se ver,
Doce, pera se passar.
Então, vendo a diferença
Que há de vós a toda a gente,
Mandou que fôsseis doente
Pera glória da doença.
E digo-vos de verdade
Que a saúde anda envejosa,
Por ver estar tão fermosa
Em vós essa enfermidade.
Não facais, logo, detença,
Senhora, em estar doente,
Porque adoecerá a gente
Com desejos da doença.
Que eu, por ter, fermosa Dama,
A doença que em vós vejo,
Vos confesso que desejo
De cair convosco em cama.
Se consentis que me vença
Deste mal, não houve gente
Da saúde tão contente,
Como eu serei da doença.
