Crescem, Camila, os abrolhos
VILANCETE PASTORIL
Crescem, Camila, os abrolhos
De chorares por Sincero:
Não é muito, que lhe quero,
Belisa, mais que meus olhos.
VOLTAS
Sempre os teus olhos estão,
Camila, d'águas banhados.
De se verem desamados
Pode ser que chorarão.
Si, mas crescem os abrolhos,
E tu cegas por Sincero.
Se eu não vejo quem mais quero,
Pera que quero mais olhos?
Se se foi há mais dum mês,
Teus olhos não cansarão?
Não, que após ele se vão
Estas lágrimas que vês.
Fazem logo estes abrolhos
O mato espinhoso e fero.
Pois eu não vejo a Sincero,
Isso só verão meus olhos.
Chorando queres morrer?
Mais quero viver chorando.
Tu não vês que vás cegando?
Se cego, como hei-de ver?
Põe na vista outros antolhos.
Não posso, nem menos quero
Outra pera outro Sincero,
Antes não quero ter olhos.
