Como louvarei eu, Serafim santo

Como louvarei eu, Serafim santo,
Tanta humildade, tanta penitência,
Castidade e pobreza e paciência,
Com este meu inculto e rudo canto?

Argumento que às musas põe espanto,
Que faz muda a grandíloqua eloquência.
Oh! imagem, que a divina Providência
De si viva em vós fez pera bem tanto!

Fostes de santos ũa rara mina;
Almas de mil a mil ao Céu mandastes
Do mundo, que perdido reformastes.

E não roubáveis só com a doutrina
As vontades mortais, mas a divina;
Pois os seus rubis, cinco lhe roubastes.