Ausente dessa vista pura e bela
Ausente dessa vista pura e bela
Que dantes viver ledo me fazia,
Vivo agora tão farto de agonia,
Quanto vendo-vos fui já falto dela.
Chamo dura e cruel a dura estrela
Que me aparta de vós, minha alegria,
Mil vezes maldizendo a hora e dia
Que foi duro princípio a tal querê-la;
E tanta pena passo nesta ausência
Que o cruel destino me condena,
Porque sofra ũa dor ao mundo rara.
Que já vencer deixara a paciência
Com minha vida, à força desta pena,
Se a vida pera ver-vos não guardara.
