Aquela que, de pura castidade

Aquela que, de pura castidade,
De si mesma tomou cruel vingança,
Por ũa breve e súbita mudança,
Contrária à sua honra e qualidade;

Venceu à fermosura a honestidade,
Venceu no fim da vida a esperança,
Porque ficasse viva tal lembrança,
Tal amor, tanta fé, tanta verdade.

De si, da gente e do mundo esquecida,
Feriu com duro ferro o brando peito,
Banhando em sangue a forca do tirano.

Oh! ousadia estranha! estranho feito!
Que, breve morte ao corpo humano,
Tenha sua memória larga vida!