Apartava-se Nise de Montano
Apartava-se Nise de Montano,
Em cuja alma, partindo-se, ficava;
Que o pastor na memória a debuxava,
Por poder sustentar-se deste engano.
Por uma praia do Índico Oceano
Sobre o curvo cajado se encostava,
E os olhos por as águas alongava,
Que pouco se doíam de seu dano.
«Pois com tamanha mágoa e saudade
(Dezia), quis deixar-me a que eu adoro,
Por testemunhas tomo céu e estrelas;
Mas se em vós, ondas, mora piadade,
Levai também as lágrimas que choro,
Pois assi me levais a causa delas.»
