Amor, que em sonhos vãos do pensamento
Amor, que em sonhos vãos do pensamento
Paga o zelo maior de seu cuidado,
Em toda condição, em todo estado,
Tributário me fez de seu tormento.
Eu sirvo, eu canso; e o grão merecimento
De quanto tenho a Amor sacrificado,
Nas mãos da ingratidão despedaçado
Por presa vai do eterno esquecimento.
Mas quando muito, enfim, cresça o perigo,
A que perpetuamente me condena
Amor, que amor não é, mas inimigo,
Tenho um grande descanso em minha pena,
Que a glória do querer, que tanto sigo,
Não pode ser cos males mais pequena.
